Eu escrevo, a IA edita. Essa é a divisão que fechou pra mim. Quero publicar mais sem que cada post deixe de parecer meu, com meu ritmo, com minhas escolhas, com minha voz.
A IA não escolhe palavra, não escolhe argumento, não escolhe a virada. Cuida do acabamento. Aplica o tom no que eu escrevi com pressa, encaixa no template .md do blog antes de eu commitar. Duas skills específicas que rodo no Claude Code.
As Duas Skills
A primeira pega o rascunho cru e devolve no meu tom. Não inventa frase, não troca argumento. Pega o que eu escrevi com pressa e lapida usando padrões que aprendi sobre a minha própria escrita ao longo dos anos:
name: personal-voice
purpose: >-
Convert any text into my writing voice — preserving rhythm, verbatim
quirks, and the way I actually sound on the page.
removes:
- AI-slop signature
- corporate hedging
- unnecessary qualifiers
- performative structure
preserves:
- verbatim patterns from my corpus
- Portuguese-English code-switching
- deliberate sentence fragments
output: >-
Plain markdown. No frontmatter, no bundle, no design system.A segunda pega o output da primeira e encaixa no style-guide .md do blog. Title Case nos H2, divisores na hora certa, hierarquia limpa. É o que faltava pra fechar o pipeline. A gente vai do rascunho ao bundle pronto pra commit em fração do tempo:
name: editorial-template
purpose: >-
Turn polished prose into a publishable bundle for the unreadable blog —
applying editorial discipline so the post reads like it belongs there,
not like generic markdown dumped into a folder.
enforces:
- Title Case on every H2
- "`* * *` dividers paired with each section break"
- conversational openings, no throat-clearing
- monospace, bold, italic as the only inline emphasis
- sparing use of imagery and code blocks
produces:
- content/posts/<slug>/pt-BR.md # frontmatter + structured body
- content/posts/<slug>/en.md # placeholder for translation
- cover.jpg # optionalCheguei nessa divisão depois de tropeçar. Duas vezes, em dois posts que apaguei antes de publicar. Eram a IA escolhendo no meu lugar. A diferença não estava na qualidade do output. Estava em quem decidiu cada palavra.
A Escolha Mais Provável
Tem um ensaio do Ted Chiang no New Yorker — Why A.I. Isn't Going to Make Art — que ficou martelando na minha cabeça. A tese: escrever é fazer escolhas que fogem do óbvio. E o óbvio é exatamente o que a IA, por construção, te entrega — a opção mais provável.
Aí a divisão ficou óbvia. Se a escolha — a palavra, o argumento, a hesitação, a virada — é o que define a voz, então a escolha é justamente o que não dá pra delegar. Todo o resto, dá.
Veredicto: a IA não me empurra mais pro centro estatístico do que um texto "bom" parece. Ela lapida o que sai do meu centro. E o meu centro continua sendo o Igor.
Quem entra aqui, quem assina a newsletter, quer ouvir o Igor. Daqui pra frente cada post sai dessa divisão: eu escrevo, a IA edita. As palavras continuam sendo minhas. O acabamento é compartilhado.